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Praias galegas com menos portugueses
Sanxenxo ressentiu-se de tal forma que os hoteleiros desinvestiram na promoção do lado de cá da fronteira
Nas praias galegas, já não se ouve falar Português como outrora. Nos últimos quatro anos, a afluência caiu para metade. Sanxenxo, que esteve na moda nos anos 90, é onde mais se nota a crise do mercado português.

Os empresários de hotelaria das zonas balneares mais frequentadas na vizinha Galiza não têm dúvidas: ao longo dos últimos quatro anos, a afluência de portugueses, a medir pelas taxas de ocupação, caiu para metade. Sanxenxo, um destino que virou moda entre os lusos nos anos 90 por causa das suas praias, gastronomia e movida nocturna, ressentiu-se de tal forma da acentuada quebra, que os hoteleiros, acreditando que o Norte de Portugal está mergulhado numa profunda crise, desinvestiram por completo na promoção turística do lado de cá da fronteira. Nos hotéis, parques de campismo, restaurantes, lojas, ruas e praias, ainda se nota a presença portuguesa, mas a realidade é só uma: nas praias galegas, já não se ouve falar Português com a mesma frequência.

"Há uns anos, nos finais dos anos 90, inícios de 2000, eram tantos os portugueses, principalmente na segunda quinzena de Agosto, que não sabíamos onde estávamos, se em Sanxenxo ou se num local qualquer de Portugal. Era normal a avalanche. Hoje não há", desabafa Francisco Gonzalez, líder do Consórcio de Empresários Turísticos de Sanxenxo (CETS), referindo que, para o período de maior afluência deste ano, a expectativa permanece baixa. "Este ano, ainda não acredito que haja uma subida, até porque também nós estamos a atravessar o nosso primeiro ano de crise em Espanha. Mas esperemos para ver o balanço da segunda quinzena deste mês", frisou, acrescentando: "Não tenho dúvidas de que os portugueses vão voltar". A estrutura a que preside Gonzalez tem 119 associados e agrega a maioria das unidades hoteleiras daquela região galega. O presidente do CETS revela: "A vinda dos portugueses, nos últimos quatro anos, caiu para metade. Digo--o sem medo de errar". E quanto a razões para a debandada do mercado português, aponta a que considera ser primordial: "Portugal continua a atravessar uma crise económica que, pelo que percebemos, começou com a adopção do euro".

Face a este cenário e apesar de verem escapar-lhes um dos seus mercados preferenciais - a aposta incide no que os empresários galegos intitulam de "mercado das quatro horas", ou seja, nos territórios circundantes que ficam a esse tempo máximo de distância percorrido em automóvel, o que inclui o Norte de Portugal e grande parte de Espanha -, os hoteleiros de Sanxenxo bateram em retirada com as acções promocionais em solo português. "Os nossos assessores desaconselham totalmente".

Dizem que não é rentável, porque Portugal está a atravessar uma crise económica e, apesar desse continuar a ser um potencial mercado, por agora os portugueses estão sem poder económico", explica Francisco Gonzalez, frisando que, desde sempre, Sanxenxo vive, "em cerca de 90%", de turistas portugueses e espanhóis. Alemães, franceses e ingleses constituem, de resto, uma ínfima parte do fluxo turístico naquela região galega.

Quanto à quebra de afluência de portugueses, Gonzalez faz questão de salientar que, ainda assim, "o cliente com maior poder de compra continua a vir". "Onde se nota menos é nos hotéis de quatro estrelas. Temos ainda bastantes portugueses que continuam a vir todos os anos, se bem que se antes podiam vir 15 dias, agora vêm menos tempo", diz.

Na generalidade, as unidades de alojamento de Sanxenxo estão neste Verão a sentir um ligeiro decréscimo. Ainda assim inferior às expectativas mais pessimistas dos hoteleiros. "A taxa de ocupação, em Julho, caiu 2, 72%. Nada do que esperávamos. Pensávamos que seria pior. Agora, sente-se é mais ao nível do consumo, que no mês passado caiu 15%, e na restauração, com uma quebra de 15% a 20%", conclui o responsável do CETS.

Jornal de notícias. Portugal